Cely Farias, Paulo Philippe e Polly Barros.
Há pouco mais de um mês, um momento marcante consolidou a presença e a força da cena teatral paraibana além das fronteiras do Brasil.
O Coletivo Ser Tão Teatro desembarcou em Paris para participar da Mostra La Terreirada, um festival multicultural que celebrou o Ano do Brasil na França.
Entre os integrantes do grupo, destacamos Cely Farias, Paulo Philippe e Polly Barros, que também fazem parte do Coletivo Atuador.Relembrando essa rica experiência internacional, celebramos o sucesso da trupe, que levou sua arte ao prestigiado Théâtre de l’Opprimé.Além dos “coletiver’s”, a comitiva contou ainda com Rafa Guedes, Thardelly Lima e o iluminador Fabiano Diniz.

Rafa Guedes, Cely Farias eThardelly Lima
A jornada artística teve início com o espetáculo Alegria de Náufragos, apresentado no Teatro Le Totem.
A peça, protagonizada por Cely Farias, Thardelly Lima e Rafa Guedes e dirigida por César Ferrario e Giordano Castro, marcou a abertura das atividades do grupo na capital francesa.
A viagem contou com o apoio da Funarte, por meio do programa Conexões Internacionais, e do Edital Arte na Bagagem da Secult/PB.
Inspirada no conto Uma História Enfadonha, do escritor russo Anton Tchekhov, a montagem é fruto de um diálogo criativo entre literatura e contemporaneidade.
O desafio do grupo foi aproximar um texto escrito há mais de 150 anos dos dilemas e inquietações atuais.
No enredo, a visão de um professor entediado, Nicolai Stepianovitch de Tal, serve de ponto de partida para reflexões sobre o presente tratadas com humor e uma dose precisa de ironia.
Durante a estadia em Paris, Thardelly Lima destacou a importância das trocas culturais e da adaptação do espetáculo à realidade local. Segundo o ator, o grupo buscou incluir elementos do cotidiano parisiense — como nomes de figuras públicas e lugares conhecidos — para criar maior identificação com o público.
Além das apresentações, o Ser Tão Teatro ministrou uma oficina de jogos teatrais e compartilhou com os franceses um ensaio aberto do espetáculo Da Última Vez que o Mundo Acabou Começou Assim, ainda em fase de criação.
Este experimento também conta com a dramaturgia e direção de Giordano Castro, do grupo recifense Magiluth.
O ensaio aberto foi voltado para a companhia teatral liderada por Rui Frati, parceiro direto de Augusto Boal na prática do Teatro do Oprimido na França, em um intercâmbio artístico cheio de arte e afeto.
Ao embarcar rumo a Paris, o Ser Tão Teatro reafirmou sua vocação de resistência e reinvenção.
Sua essência artística está sintetizada em uma frase que se tornou o lema do grupo:
“O que importa neste trabalho não é a glória, mas a capacidade de suportar!”
Com essa perspectiva, o grupo segue cruzando fronteiras e levando a arte paraibana ao mundo.
Vale lembrar que essa não é sua primeira incursão internacional: em 2017, o Ser Tão Teatro já havia representado o Brasil em festivais de teatro em La Plata e Bahía Blanca, na Argentina.